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Enfermeira é indiciada após deixar 9 pacientes deformadas em procedimentos estéticos, diz polícia

Marcilane da Silva Espíndola foi indiciada por lesão corporal, injúria, estelionato e exercício ilegal da medicina. Defesa da enfermeira disse que ainda não foi notificada para poder se posicionar.

Por Gabriela Macêdo, g1 Goiás

A enfermeira Marcilane da Silva Espíndola, que era investigada por deixar pacientes deformadas durante procedimentos estéticos em Aparecida de Goiânia, foi indiciada pelos crimes. Segundo a Polícia Civil, foram identificadas nove vítimas que tiveram lesões físicas após os procedimentos.

Ao g1, o advogado de Marcilane, Caio Fernandes, explicou que aguarda a notificação sobre o indiciamento e a denúncia do caso para poder se posicionar.

Os crimes em Aparecida de Goiânia foram investigados pela delegada Luiza Veneranda. A Polícia Civil detalhou que, após Marcilane realizar procedimentos como harmonização facial, botox, up glúteos e outros, ela foi indiciada em todos os nove inquéritos pelos seguintes crimes:

  • lesão corporal leve;
  • lesão corporal grave (incapacidade para as atividades habituais);
  • lesão corporal gravíssima (deformidade permanente);
  • injúria;
  • estelionato;
  • exercício ilegal da medicina.

O caso começou a ser investigado no final do mês de julho de 2023 após três pacientes ficarem com os rostos deformados depois de realizarem procedimentos em uma clínica de estética. A Polícia Civil (PC) deflagrou a Operação Salus para investigar o caso e os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na clínica de estética da enfermeira.

Após as investigações iniciais, a polícia representou pela concessão de medidas cautelares que resultaram no cumprimento de buscas, bloqueio de bens e valores da enfermeira e a suspensão do exercício de atividades.

Segundo a polícia, ao todo, os nove inquéritos policiais totalizaram 1.467 páginas, com elementos como termos de declaração, depoimentos de testemunhas, perícias da Polícia Técnico Científica e outros.

Pacientes deformadas

Quase todas as pacientes que procuraram a polícia foram atendidas em uma clínica odontológica, em Aparecida de Goiânia, onde a enfermeira começou a fazer os primeiros procedimentos. Segundo a polícia, depois disso, ela alugou uma casa, no Setor Oeste, em Goiânia, para ter um espaço próprio.

Uma reclamação unânime entre as pacientes lesionadas, é que elas não receberam nenhum tipo de assistência da suspeita após as complicações, mesmo tendo procurado a profissional. Em troca de mensagens com uma delas, Marcilane diz: “Você tem que aguardar. Você não entende, que não sou eu, é seu organismo. O que tinha pra ser feito, já foi feito”.

Uma das vítimas contou à ainda que Marcilane disse que “não perderia o sono” por causa do problema dela. Na época, a defesa de Marcilane definiu a operação como “drástica”, pois, segundo o advogado, a profissional sempre colaborou com as investigações. Além disso, explicou que todos os pacientes tiveram problemas após os procedimentos devido descrumprirem as orientações do pós-operatório.

Sem formação na área

Marcilane é enfermeira, mas nas redes sociais afirmava ser pós-graduada em dermatologia estética, dando a entender que possuía qualificação para atuar no ramo. Na internet, ela anunciava procedimentos como: preenchimento labial, no nariz, lipo de papada, bronzeamento e até cursos ensinando as técnicas. Mas, em depoimento à polícia, ela admitiu que não concluiu o curso.

“Ela falou que não completou uma matéria [do curso de pós-gradução]. Ou seja, ela não é formada ainda na especialização estética e, acredito eu, que sequer poderia fazer determinados procedimentos”, avalia a delegada.

Quando as investigações iniciaram, o Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Coren-GO) informou ao g1 que instaurou um Processo Ético Disciplinar para apuração da conduta da profissional. Com o indiciamento, a reportagem solicitou um novo posicionamento ao conselho por e-mail, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2024/05/17/enfermeira-e-indiciada-apos-deixar-pacientes-deformadas-em-procedimentos-esteticos-diz-policia.ghtml

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